28.6.22

"capoeira sem ambição"


queria ser um menino loiro,

capoeirista dentro de um filme

de lucky visconti, um tadzio

que gosta de samba de raiz,

marcel proust e relógios,

de uma beleza que eu gostaria

de esfregar pessoalmente

no chão dessa imundice

que nos cerca a todos nós,

tão sedentos de alguma visão.

 

como a desse jovem maduro,

lacaniano durante os dias úteis,

pequeno príncipe da quebrada

na sexta-feira, mijando na rua,

paulistano até o talo, mas lindo!

 

você me oprime, me faz perder

o controle que finjo que tenho e

quero esfregar sua cara no chão

como os hindus que pisoteiam

suas divindades feitas de bronze.

  

só não venha me dizer, meu anjo,

que alguém no samba de são paulo

seja maior que o adoniran barbosa.

 

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