13.12.09

"2009"

não quero mais saber de ti 2009.

já te dei o que podia, não o bastante
pra você lembrar de mim, fora o livro
que perdeu pra Colasanti, mas eu juro
que aqui não farei mais nenhuma métrica,
porque, 2009, foi cansativo desde o começo,
com tuas palavras românticas em bolhas,
com tua edição de livro, tua calma fajuta,
para antecipar objeções tardias dependentes
da válvula que começa a apresentar as falhas
de uma sigla preciosa, um instinto submerso,
que me faz dizer “EU TE NOMEIO, 2009”
como o ano em que os poemas não sairão
mais retos e secos contra a página vadia.

será a coisa mais vaga, não charmosa,
que subirá pelas paredes, verde musgo,
e estaremos em Baden, São Petersburgo,
jogando dados contra nossas mulheres.

te verei arder pelo beco insólito da pele,
te darei de mamar, talvez, farei um muro,
e te levantarei como um bebê natimorto.

as mulheres terão mais o que fazer
e seremos nós a boca do precipício.

estarei atento desta vez, quase brega,
não tamparei os ouvidos à boca maior.

mas nunca mais estarei contigo, 2009,
já que teus fogos só reafirmam aspas,
e a solidão hoje é nossa, e de mais ninguém

4 comentários:

Julia disse...

mas tá todo mundo mal-resolvido com 2009? perdi a festa dos diabos em que deus se vingou e acabou com o pobre ano? aonde ocorreu?

Guido Cavalcante disse...

poema extraordinário, CARA!

Anônimo disse...

de f... o depoimento de Julia.

rose disse...

putz tentei postar algo, mas não deu certo, tentarei novamente. hj conheci heloisa buarque lembrei de ti, resolvi procurar teu blog na máquina, não lia nada teu faz um tempão, desde 2009 rs...continuo gostando da tua pena, voce passa da pedra para o ar com muita habilidade, resolvi deixar aqui meu alo: tive a mesma sensação quando aquele ano acabou, engraçado não?! voce fez uma bela síntese! parabéns.