31.7.07

"bergman"

agora será o fim,
mesmo que momentâneo,
da cientificidade do sentimento,
de tudo que for felicidade e tristeza.

fomos os homens por milênios
felizes e tristes, cal de um tempo surdo.
recorremos sempre aos mesmos temas:
corações subjugados, almas em sangue.
e por ternura não fomos além da redundância.

cabe agora a nós
a tarefa difícil de por um fim
a todos os temas de felicidade e tristeza:
obrigado, consciência, já cumpriu seu dever.

cabe a nós talvez
o sacrifício da juventude que ainda rasteja,
talvez o envelhecimento precoce da alma,
para sentir a leveza do contínuo renovável.

cabe a nós, por fim,
dar fim aos precipícios e ritos de passagem,
aos improváveis suicídios, às ilhas de ópio,
para dar início aos temas sem reticências.

Um comentário:

peixe disse...

gosto das reticências quando elas me escondem, gosto mais das reticências em inícios do que em fins. não sei dar fim às coisas, e na verdade pulo as reticências. sou de virgulas e pontos, sou de pontos e vírgulas, sou tão despontuada.

gosto muito da palavra "subjugo"

vamos dar um começo.