5.9.08

"samurai"

eu sou o samurai.
um homem sozinho
com ganas de sangue.
o herói sem atitude,
potência indiferente,
espécime de vidro.
de verso em verso
a lâmina: o suicídio.

vilão sem identidade,
pária social, rasgado,
refrão sem codinome,
eu sou o samurai.
o passo além do corpo
o osso que interrompe
o medo: o fiel servo.

ao me ver não mova
a face sutil – espere.
lá do alto das colinas
vejo o vale em chamas
a espera de um milagre.
conto sete respirações
e vou morrer no fogo.
eu sou o samurai.

2 comentários:

luiz pretti disse...

já vistes o filme do melville com o delon? vale pena. eu adorava esse filme. a tranquilidade inabalável do delon. preciso rever pra saber o que acho hoje em dia.

esse poema aí de baixo sobre o amor tá bizarro hein leo. gostarias de comentá-lo? ainda acreditas no amor?

bjos.

leonardo marona disse...

Nunca vi, descobre pra mim qual é o filme que eu procuro. Meu irmão Luiz Pretti,

Com relação ao poema “desconstrução do amor”, ele não é mesmo bizarro, o amor? Quanto mais a gente sente mais amplo ele fica e, com isso, mais rotulantes se tornam os nomes que damos às diversas faces do amor. É mesmo um negócio complicado e super-cabeça. E o amor acaba sendo no fim muito cabeça, grande parte do tempo. Mais tem certas vezes em que se roçam os pés sob as colchas, tem dias em que simplesmente se olha sob um determinado ângulo determinado rosto que reflete muitas dúvidas e, não que as dúvidas desapareçam, não é isso, apenas descobrimos que quanto mais pudermos mantê-las, talvez proliferadas, mais viveremos a essência criativa do amor, que é acima de tudo caminho sem parada, e tudo que pequenas partículas inomináveis de coisas desconhecidas podem nos causar de cataclismo, dor e parto, que são essência do indivíduo e morte da mentira do amor como arma de afastamento da vida descontrolada, gêiser de fluxo natural. Mas ainda assim, querido, o poema era apenas uma exaltação ao desconhecido, porque amor desconstruído vem só da sabedoria e, como vê, estou aqui me enrolando, muito longe portanto de um sábio.

E, falando em sábio, o outro poema, o “samurai”, eu escrevi meio que automaticamente, quase algo mediúnico e super-transcendental, depois que eu vi o Forest Whitaker lendo o Hagakure naquele filme extraordinário do Jim Jarmusch, digamos, o filme mais pop dele até o Flores Partidas: Ghost Dog. Eu adorei esse filme e fiquei me imaginando sob a ética samurai e comecei a pensar portanto em lâminas e resolvi terminar de uma vez com essa história escrevendo de uma vez sobre isso e coisa e tal te amo e desculpe se me alonguei demais beijo te cuida.