31.12.06

“paixão das ruas”


versão 1

ela emerge do peito à noite vestida apenas
com seus sonhos e seus cílios venenosos,
ela que é a espuma do vento enegrecido
e foge por dentro do oco das entranhas
do amor que permanece, não estando salvo.
ela me deixa acordado, com olhos de cera,
no fio entre os fatos e suas ilhas suspensas.
à meia-noite me compõe versos satânicos,
ao amanhecer do dia, ossos caramelados.
ela que é tudo que passa dentro das bolsas,
por baixo das marquises do núcleo em pó.
cordilheira espiã de nossas noites agonizantes,
por que você, que é também minha assassina
(minha amante quando seu eco ganha as ruas),
não se digna ao menos a me dar um bom dia?


versão 2

ela emerge do peito da noite vestida apenas
(amor dos becos e das almas clandestinas)
com seus sonhos e seus cílios venenosos,
(vertigem de espuma no vento enegrecido)
e ela foge por dentro do oco das entranhas
do amor que permanece, não estando vivo.
ela que me dispersa com seus olhos de cera,
no fio entre os fatos e suas ilhas flamejantes.
à meia-noite, me compõe versos satânicos,
ao amanhecer, sou todo ossos caramelados.
ela que é tudo que passa dentro das valises,
por baixo das marquises do núcleo em transe.
cordilheira espiã das madrugadas agonizantes,
por que você, que é também minha assassina
(e minha amante quando ecoa pelas ruas),
não se digna ao menos a me dar uma surra
já que não posso alimentar essa leveza fria
da sensação que causa o toque do teu instante?

2 comentários:

peixe disse...

eco oco
"todo mundo tem um canto de tristeza"


feliz ano novo leo

peixe disse...

aliás, gostei muito desse.