19.12.06

“Infâmia”

Quando um homem fica velho
nem sempre é quando ele tem idade
Às vezes é quando ele não tem muita
outras vezes é quando sabemos quem somos
quando dizemos aos outros: eu sei quem sou

Ou quando passamos a pensar em nós de fora

Ser velho é perder o tato com o medo
ser velho é semear angústias transgênicas
ser velho é acreditar nos contornos do espelho
É quando os olhos fazem maquiagem nas flores da face
não por elas serem velhas, infames, cheias de pêlos
mas por elas serem um sonho que descolou do precipício

O tempo sabe quem sou e porque sou e isso me envelhece
Saber quem somos serve apenas para os vermes
que – estes sim – têm certeza absoluta.

Um comentário:

ju carente disse...

os vermes morrem logo. talvez?

saber quem somos é coisa de saber quem fomos. saber quem seremos é coisa de saber só depois.

que a gente muda. a gente muda demais. é sempre.


acho que ser velho
é voltar de novo
praquilo que era de antes.

rir à toa
como criança
ninguém tem futuro pra cuidar.

leozinho, vai um beijo carinhoso.