1.11.06

“Elegia ao Erro Primordial”

O sexo é acima de tudo
um processo desequilibrado
sem igualdade.

Ao contrário do que exigem os pares
e do que dizem hipócritas e especialistas,
o sexo não é uma negociação estabelecida
em percentagens.

O sexo é um jogo de azar
injusto: é violento,
desmedido e sujo.
Máfia russa roleta
entre decapitados de
coração partido.
Muitas vezes estúpido,
estupidificado.

Tal é a real raiz humana
e sua tranqüila tragédia:
permanecermos greco-romanos
mesmo insanos, mesmo cegos,
mesmo mortos.

É o que nos torna verdadeiros,
é talvez o que nos torne poéticos,
apesar de cúmplices desonestos.

Aliás, de acordo com a espécie,
se observada com afastamento,
o amor é a maior tagarelice,
o amor quase nunca é verdadeiro.
Veja só, o homem: desaparecendo!

E normalmente a verdade não é fácil
de suportar no mundo das aparências.
A verdade não é equilibrada nem
o mundo das aparências utopias é.
A verdade nem mesmo é verdadeira!

E as mulheres desequilibradas
são portanto mais livres, mais inteiras.
E isso as torna sexualmente mais verdadeiras.
O sexo, que é a vingança da vida contra morte.
E que talvez seja a única verdade total, porque nega.
Afinal, as relações humanas são apenas
extensões sociais dos nossos instintos e erros:
os mais vergonhosos, os primordiais.

E para todos resta apenas conhecer o amor.

2 comentários:

juba disse...

vou te contar que tem um sexo limpo por aí.

pra caramba cara.

amor há?
ah.

leonardo marona disse...

bom que vc achou. mas pra ser limpo, tem que ser desonesto.

opinião experimentada, apenas.

beijo,

ps: sujeira, quando não cheira mal, não é ruim. é, ao contrário, fundamental.