17.7.06

“síndrome do zangão aferroado”

"todo o homem
de pau duro
almeja ser déspota.”
(Hilda Hilst)

sou um tirano.
acabei de matar uma abelha
com uma dose cavalar de veneno
enquanto ela rodeava o meu doce.

na verdade
ela ainda está ali agonizando,
as asas coladas sobre o concreto
no abismo gelado do basculante.

pobrezinha,
entende ainda menos que eu.
escorrega pelo caminho de vidro
e rola como um sonho de veludo.

por que será
que agora que ela está morta,
nada além de um silêncio listrado,
ainda posso ver mexerem suas patas?

e agora que a matei
posso fugir em paz?

o zangão aferroado
quando morre nasce.

Um comentário:

peixe disse...

eis que tu sentirás a vida quando ganhar a morte.

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