18.12.05

"Homens e Mulheres"


o homem sabe o que quer
a mulher sabe o que o homem quer
o homem não sabe que ela sabe disso
a mulher se comporta como se não soubesse
o homem quer ter a mulher
a mulher quer ter o poder das marés
e o primeiro engano resulta em compromisso

ela sobe as escadas pé ante pé
o destino na pantufa dos sonhos postiços
ele finge que não sabe o que quer
desespero em dominar o imprevisto

a mulher pára e olha, analisa a um quilômetro
julga friamente em prol de um calor real e seguro
o homem concorda com um sorriso: erro crônico
e não consegue mais pensar quando tudo fica escuro

homens não sabem o que fazer com relação às mulheres
exatamente por isso demonstram muita segurança:
marcam passos
engolem a seco
acenam dos andaimes
assobiam dos carros
acordam bêbados em becos
em suma, dão vexame

porque um homem ainda não sabe o que ao certo dizer a uma mulher
e enquanto ele não souber
a matemática reinará inevitável
os eixos dos nervos continuarão eletro-petrificados
pela mesma febre de passos
que arrasa com os sonhos
que constrói pseudônimos
erro de cálculo = início da equação
vida patife, de altos e baixos, tanta frase e tão pouca compreensão
manter a paz é tão cativante quando ter a beleza sentada no colo
homens continuarão sem entender como andar e amar ao mesmo tempo
mulheres continuarão sabendo disso e não darão mais a você do que os olhos
e a flâmula do amor outra vez vai cuspir teu rosto com seus desejos ao vento

homens continuarão agindo como se elas não soubessem
tateando no vazio das paredes noturnas com flores, álcool, preces
prestes
a cair outra vez no mesmo erro matemático que inicia a equação

uma mulher vai se aproximar de você e vai dizer:
“Tchecov de marido, Maiakovski de amante, Nabokov de cafetão”
e isso você também não vai entender – e por isso vai rir
e ela vai te olhar e não ver nada e vai seguir em diante na busca do eterno perdão:
soberba, malvada, baronesa, lacaia, princesa, ordinária
todas juntas um dia vão tomar tua beleza
você que nunca achou muita
e vão deixar tua cabeça:
uma cabeça num corpo de múmia

e você não vai fazer nada a não ser rir rir rir
depois vai dar chave de casa, as costas, chorar de raiva, dizer te amo
suas costas vão estar de novo congeladas, sua nuca exposta em riste
suas pernas gangrenadas, seu copo vazio, seu nariz que cheira alpiste
ela ajeitando os cabelos de costas: silhueta-artífice do engano
deixando a calça no cabide
perna dobrada sobre a cama
calça meia-calça calcinha - um brinde!
coleção de posteridades a cada bafo com travesseiro, a cada voz sem som que ama
e, na maioria das vezes
apenas uma felicidade triste que
um pobre diabo não sabe se chama queimadura ou chama

3 comentários:

Laiza disse...

E aí boquinha!
Gracinha ... o q quis dizer?!Hehehe
Olha se entendesse pelo menos 10% do meu raciocinio não riria TANTO pelo contrario compreenderia MAIS ... e não escreveria negativas, exclamativas e afirmativas,tipo: "[17:31:48] Leonardo diz: vc é muito contraditoria". MAS para isso vc deveria OUVIR E ENTENDER o ponto de vista do OUTRO e não somente limitar-se ao seu!
Bjim ...
A doida!

Laiza disse...

OU te add no orkut me add lá ... bjo na boca meu H!

Anônimo disse...

gosto muito da segunda metade do poema. a primeira nao muito.
bjos.
luiz