17.8.26

"a verdadeira loucura"

 

conheço loucos de todo tipo:

loucos de amor, loucos de ira,

loucos que não falam nada,

loucos que falam sem parar.

em mim há um pouco de cada,

os loucos são a minha legião.

 

mas a loucura que não serve,

a loucura que não conheço,

é aquela daquele que nunca

sentiu-se fora de si, estranho

a si próprio e, pior que isso,

sem poder amar o estranho

que no fundo é seu amigo.

 

conheço loucos de todo tipo:

carinhosos, perdido nas suas

próprias linhas de vida, puros

como crianças e depravados

como aqueles que escondem.

 

tenho sido obrigado a conter

meu estranho em mim porque

ele às vezes fala por mim,

como se quisesse algo meu,

como se eu fosse o capataz

que serve a ele e serve mal.

 

já não temo o estranho meu,

vivo com ele com pastilhas

e remédios fortes que atuam

para que ele esteja de acordo

com o que a sociedade julga

ajuizado – lúcido – prudente.

e aí vive o meu maior medo.

 

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