conheço loucos de todo
tipo:
loucos de amor, loucos de
ira,
loucos que não falam
nada,
loucos que falam sem
parar.
em mim há um pouco de
cada,
os loucos são a minha
legião.
mas a loucura que não
serve,
a loucura que não conheço,
é aquela daquele que
nunca
sentiu-se fora de si,
estranho
a si próprio e, pior que
isso,
sem poder amar o estranho
que no fundo é seu amigo.
conheço loucos de todo
tipo:
carinhosos, perdido nas
suas
próprias linhas de vida,
puros
como crianças e depravados
como aqueles que escondem.
tenho sido obrigado a
conter
meu estranho em mim
porque
ele às vezes fala por
mim,
como se quisesse algo meu,
como se eu fosse o
capataz
que serve a ele e serve
mal.
já não temo o estranho
meu,
vivo com ele com
pastilhas
e remédios fortes que atuam
para que ele esteja de
acordo
com o que a sociedade
julga
ajuizado – lúcido – prudente.
e aí vive o meu maior
medo.

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