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é um sopro
de soldado ferido,
desordenado, árido,
silente, mas cálido.
é um sopro
que se refugia
no presídio oco
da dor embutida
no parto do som.
não são mais notas,
são sobrancelhas verticais
voltadas ao vértice
de contusões permanentes.
pois de ti a pobreza parideira
do ínfimo da maior entrega brota,
e enfim podemos, anti-vivos, ser.
é sempre tarde lacrimosa sob o seco
fatigado de um estúdio em cor sépia
quando tua silhueta me rasga de ecos.
tua corneta aponta:
segue a cadência...
(eu colo o ouvido na tua desatenção,
que circunda a vida com reticências
atrás das agulhas iludidas do perdão,
em busca da raiz das conseqüências).
e tua música irrompe,
com a minha falência.
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