25.5.06

poesia em sangue de norte a sul



"Desencanto" (Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

***

"A Rua dos Cataventos" (Mario Quintana)

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

4 comentários:

natércia pontes disse...

mais precisamente sudeste ao sul..ne
beijo e futuras saudades

leonardo marona disse...

não entendi. manuel bandeira, recifense. mario quintana, gaúcho.

tem alguma coisa errada?

beijo

Ju disse...

São duas das minhas preferidas. Ainda hoje utilizei a primeira numa aula sobre metalinguagem.
Bjos.

Gi disse...

Sempre preferi o Bandeira ao Barros. Já o Mário Quintana, eu o prefiro a qualquer outro.


>=)