você é uma queimadura de
radiação
na sombra fresca da minha
loucura.
chuva que inunda, eu
deveria dizer,
as almas sorridentes de
água choca
no bairro dos ricos, nos
simpósios
que distribuem melhores
soluções
em salas fechadas, nós de
gravata
no pescoço da palavra
consultório.
eu deveria dizer, então
não digo,
você diz, e quando você
diz leve
eu digo levo, mas com
todo peso,
porque o amor é arrastar
o corpo
de um pedinte no asfalto quente
de uma paz que dobra a
esquina.
você diz que meus poemas
de amor
não são poemas de amor,
eu retruco
que o amor é um cu norte-americano
vermelho, inchado, tenso
de câncer.
rastro de gosma de lesma nas
bocas
dos feudalistas
acadêmicos da paixão
dedicados, atentos, a tudo
que é bom.
assim talvez o que eu sinta
não seja
esse amor que você vê e se
emociona,
mas algo que desmancha a
paisagem
daquilo que, de bonito, deve
ser isso:
uma arma de fogo no
coração do gelo.
