hoje estou triste
especialmente
porque continuo,
mesmo depois
da meditação,
mesmo depois
de castrar o grito,
mesmo depois
de tapar a garrafa,
mesmo depois
de ter dois gatos,
mesmo depois
de enlouquecer,
eu continuo, sim,
sem poder dizer
algo de elevado
quando alguém
que eu amo sofre.
é uma canalhice
afundar no colo
de quem acabou
de pedir socorro.
já não sei ajudar,
sorrio como o que
necessita de ajuda
mui ardentemente,
mas não pode dar
um pentelho de si
a quem se afoga.
permaneço em fé,
já não sei ajudar.
os olhos do amor
são tão amarelos,
parecem os olhos
de um assassino.
a solidão é vazia,
seria fácil dizer.
não é a catástrofe
que prometeram.
precisamos estar
bem preparados
para quando cair
mais um amigo.
bem mais perto
do poema que
dos nossos pais.
umbigos abertos
cobertos de neve.
Nenhuma postagem correspondente para a consulta: omarona.
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