maior maldição é ter bons olhos,
sinal perplexo da carne reconhecida,
memória curta entre os vãos do erro,
seriedade amputada de se ver fundo.
com a face retorcida, olhar então a face,
estupro carinhoso de semblante infantil
com que eternizei a envelhecida carcaça:
os olhos tremem, doem de ver tão perto.
a luz impiedosa da realidade sem arestas
cansa-me de honestidade e falsa poesia.
estamos todos à beira de um dilúvio raso
e esperamos isso na boca de um deserto.
somos pedaços afastados de cada um,
e isso não é nem ao menos autêntico.
deixe-me, suplico, não ver a olho nu
a degradação da ternura, emoldurada.
vendo muito bem, esquecemos rápido
o que se move por dentro dos delírios,
relógios infiltrados na pele suplicante,
fundamental, cabal noção de distância.
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ResponderExcluirUau... Como eu gosto da suculência das suas palavras, como se pressentisse um crime e um castigo com a selvageria que cega tudo que é derradeiro. Antes das horas dormirem, chutando o balde de sua insana e involuntária sobriedade... você toma a frente dela e se aconchega com seu livro de cabeceira, (talvez a biografia de Sid & Nancy) e logo dorme o sono dos loucos e poetas... depois acorda com música e gente que canta e dança cobrando aquela poesia que ainda não nasceu... A poesia que vai sair das cores da sua vida. Poeta, só um pedido... proteja e cuida bem de todas as poesias que ainda não nasceram.
ResponderExcluirP.S. Desculpa se eu viajei na postagem... mas é que eu viajei muito no seu texto. Tá cada vez melhor. Parabéns Léo.