11.6.07

"noturno dissonante"

a mesa ainda posta,
velhos hinos distantes,
formigas trabalhadeiras...

a antologia de Manuel Bandeira,
a réplica barata de um vaso chinês.

e na cortiça, fotos irreais:
namoradas desconhecidas em 3 por 4.
alguém familiar vestindo boina
e polainas amarelas – alguém materno
de calcinha e sutiã, sorrindo presságios
ao lado a morte com mau-hálito, antevista.

fotos mortas vivas fotos
de quem ainda não nasceu.

principalmente uma cortiça, o silêncio de deus,
gatos no cio, silêncio de nós, molas rangendo,
a sombra implacável de Manuel Bandeira,
a mesa ainda posta, a mesa vazia, o peito...
formigas trabalhadeiras - nenhum vento -
e essa constante sensação de desaparecimento.

Um comentário:

  1. "People in every direction
    No words exchanged, no time to exchange and when
    All the little ants are marching
    Red and black antennae waving
    They all do it the same
    They all do it the same way"

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