6.2.07

“anjos nos bolsos”

poderíamos passar a noite conversando sobre o ato de beber ou deixar de beber, bebendo, ou deixar de beber, falando, apenas pelo falar sobre fazer ou deixar de fazer. no entanto presenteiam-me com uma cerveja pós-impressionista e meia porção de marfins em cubos. eu bebo, mas não pago, é só impressão cubista. algum alienado me acusa de ter roubado os seus marfins. justifico dizendo que são meus dentes e que, afinal, o marfim era por conta da casa. o bar é feito de madeira antiga escura, como um bordel bávaro, e na frente dele há um letreiro em néon totalmente destoante que pisca “Van Gogh”, com falhas no v e no h – ou então meus olhos. natural que fosse a última possibilidade de uma noite que chorava por estrelas retorcidas. saí do bar, olhei para uma menina que passava sem demonstrar interesse algum, o tipo mais interessante para se morrer por, mas isso pouco importava agora: eu havia me tornado um pintor tísico de nus, familiarizado com as novas tendências e tabacos, e com as mais sugestivas inclinações para o amor trágico. outro sujeito embriagado aproxima-se e me cumprimenta: a embriaguez se contenta com qualquer milagre. existem ainda os movimentos, existe ainda uma maneira de cuidar dos cabelos na frente de quem observa a tua fuga – e é uma maneira literária, só interessa quando se manifesta como cachos.

3 comentários:

  1. Leo, ainda estou digerindo o que você escreveu, e que já me dói antes de entender completamente.
    É bom poder falar com você.

    Ah, e a Ju pegou dengue, só pra não ir contra a tendência do estado todo. Sobrou você pra me aturar! =D

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  2. que coisa linda.
    jesus.

    tiraria o por isso da ultima frase. mas eu sou uma peentelha que mete o nariz onde nao e chamada.
    respondo e-mail o mais breve, depois do vendaval.
    beijos e saudadoes

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