
onde estava você, Ludwig Van?
quando a lua chorou de dor e dali, disseram, se fez o amor e
a espingarda da Terra atirou salmos de prata na sua carne e
o Danúbio se espreguiçou numa colcha d’água suave e
era o espelho do mundo ali, enquanto você derretia e
todas as suas tentativas desaguavam em nada...
as folhas do outono cobriram seus sonhos de primavera.
você estava amando quando o tiro sangrou a lua e o mundo escorreu prata?
você achou o sonho da noite passada em alguma casa de chá?
se você sempre soube quem e quando, então onde, me fala!
existe serenata sem sacada?
o que estava fazendo ali, Ludwig Van?
alta madrugada fechada e
você de cabeça encharcada.
por que dói tanto, meu camarada,
e como você faz para dizer na risca
o quanto dói sem dizer palavra?
aceita um gole de vinho, Ludwig Van?
pois quero dele a cor emprestada,
para agarrar quando fugir o instante,
já que daquele primeiro salmo de prata,
quando olhei minhas mãos vi: era sangue –
ou vinho?
quando olhei o céu escuro vi: era antes –
ou era o fim?
como se ama, Ludwig Van?
já que você, com sua serenata,
deve saber me explicar melhor
do que eu com minhas palavras.
vamos voar, Ludwig Van?
e não me tome por louco agora –
ou melhor, tome e tomemos juntos!
– nem faça de mim pobre chacota.
aceita meu copo, meus olhos, minhas mãos ensangüentadas...
é a vida que se escorre agora
e não posso mais sentir nada,
nem a maravilha dos teus acordes.
minha noite tem lua mas não tem poesia.
tua música é poesia e lua e não tem fim.
Sensível ontém, heim ... como se ama, Ludwig Van? já que você, com sua serenata, deve saber me explicar melhor do que eu com minhas palavras.
ResponderExcluirO que vale o homem SEM os seus sentimentos, sensibilidade e emoções expressadas em gestos, poemas, poesias, frases, palavras, pensamentos e ideias. São formas que revelam o seu conhecimento!
Adoro o que escreve, bjos!
Ótima pergunta: como se ama Ludwig Van? Tem resposta?
ResponderExcluirTá lindo Leo. Um cheiro.