26.12.08

“noturno dissonante”

a mesa ainda posta,
velhos hinos distantes,
formigas trabalhadeiras...

a antologia de Manuel Bandeira,
a réplica barata de um vaso chinês.

e na cortiça, fotos irreais:
namoradas desconhecidas em 3 por 4.
alguém familiar vestindo boina
e polainas amarelas – alguém materno
de calcinha e sutiã, sorrindo presságios
ao lado a morte com mau-hálito, antevista.

fotos mortas vivas fotos
de quem ainda não nasceu.

principalmente uma cortiça, o silêncio de deus,
gatos no cio, silêncio de nós, molas rangendo,
a sombra implacável de Manuel Bandeira,
a mesa ainda posta, a mesa vazia, o peito...
formigas trabalhadeiras - nenhum vento -
e essa constante sensação de desaparecimento.

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