6.8.07

"agosto"

em agosto
as escadas criam caninos,
os olhos verdes, abutres,
perdem esquinas e mapas.

em agosto
o suor piche das estátuas
é a poça punho do sangue
de quem grita e não existe.

em agosto
as asas punhais do suicídio
cavam um rosto na montanha
– o mar vomita poemas toscos.

em agosto
comparecemos ao velório da noite,
esperando a organização dos erros,
a testa fria da aprovação infame.

em agosto
românticos trazem livros em branco,
ninfetas recortam retratos desbotados,
o buraco se abre, o instante se cala.

3 comentários:

  1. Lava mágoas

    Nessas tardes molhadas de agosto
    Sinto a chuva lavando minha alma
    Sinto o frio entrando pelos ossos
    Como uma coisa um troço
    Não sei explicar

    Lavei as mágoas nos pingos da chuva
    E aquela velha dúvida de te encontrar
    Tô molhado como um passarinho
    Perdi o ninho já nem sei voar
    Eu tô molhado
    Pingando chovendo
    Chovendo pingando
    Pingando tão só
    Tô molhado
    Chovendo doendo
    Doendo sangrando
    Sangrando de fazer dó
    Tô chuviscando estou chovendo
    Estou sofrendo de fazer dó
    Chuviscando estou chovendo
    Estou sofrendo tô causando dó

    Mês de agosto é mês de chuva
    Mês de agosto lava a alma
    Mês de agosto é mês de chuva
    Mês de agosto é mês de chuva
    Mês de agosto lava a alma
    A mágoa a mágoa

    (Alceu Valença - Dominguinhos)

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  2. calar é um ato burro... talvez sábio.

    sabe leo, sempre que eu vejo o mar lembro de você. talvez porque você me fez enxergar nele algo além dele mesmo. tenho boas lembranças.

    olha, os hiatos consomem a gente, mas morrer é só junto de quem a gente ama.

    não quis fazer muito sentido, só ser sincera.

    beijo com o coração.

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  3. Agosto, agosto, sempre agosto. Quase escapei dele... por dez minutos só.
    Beijos de uma agostina.
    Ju.

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